quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Jeito chinês de fazer negócios


Mais uma vez, em um processo que deve se intensificar nos próximos anos, o mundo todo volta suas atenções para a China, gigante que fascina pela história, cultura e por seu ritmo acelerado do crescimento econômico, e que vem criando, nos últimos anos, uma potencia econômica mundial. A forma com que o chinês trata as relações empresariais e o trabalho, resultado de uma cultura bem diferente da ocidental, que o mundo está começando a prestar atenção, é um dos fatores que fazem com que as empresas chinesas sejam o que são hoje: uma boa opção na hora de se fazer negócios.

Como é sabido, a China chegou ao ápice de seu potencial capitalista com décadas de atraso, em função do sistema comunista ter mantido seu mercado fechado para o comércio mundial até três décadas atrás. Assim, o chinês se diferencia por ter a consciência de que ainda tem muito a aprender sobre a arte de fazer negócios e, por isso, escuta muito o que o cliente tem a dizer. É o jeito chinês de fazer negócios.

No dia-a-dia das empresas, isso se reflete na maior flexibilidade chinesa nas negociações, isto é, no momento de fechar parcerias e negócios. Aqui, a inexistência de regras pré-definidas, que limitam o que pode ou não pode ser feito, geralmente proporciona melhores condições de negociação, já que a idéia é atender o cliente da forma que ele precisar. Por esse motivo, as empresas chinesas apresentam condições de ganhar concorrências.

Entretanto, a pouca familiaridade que os chineses ainda têm com o mundo dos negócios, mostra que em algumas áreas os chineses ainda estão em fase de evolução, como no marketing, por exemplo. Diante da necessidade de ter grande capacidade fabril, para ser competitiva no mercado internacional, as empresas chinesas têm seu foco voltado apenas a produtos e preços, e poderão trabalhar mais os outros dois Ps – promoção e praça – que formam o chamado “Marketing Mix” ou os 4Ps do marketing: produto, preço, promoção e praça (distribuição).

A ausência de uma comunicação constante e profissional faz falta e mostrar que as empresas chinesas hoje alcançam altos níveis de qualidade em seus produtos ao mercado é uma dificuldade. Esse cenário pode e deve mudar com um trabalho de longo prazo que vem sendo feito. Já a ampliação dos canais de distribuição permitirá que o produto chinês chegue a cada vez mais pessoas e a mercados onde não atua.

A expansão dessa nova cultura no mundo é positiva para os negócios e também para o consumidor final, porque representa uma alternativa, de grande competitividade, no fornecimento de produtos e serviços. Como em toda boa concorrência, a chegada de um número maior de “players” amplia a oferta, o que sempre é positivo.

O fato é que o jeito chinês de fazer negócio chegou para ficar, e está cada vez mais presente no dia-a-dia das pessoas que tomam decisões nas empresas, seja no Brasil, nos Estados Unidos ou na Europa.

por Geraldo Ferreira: Gerente geral para o Brasil da Asia Pulp and Paper, uma das maiores empresas do mundo na área de Papel e Celulose com sedes na China e na Indonésia.

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