terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O valor de um bom presente


Artigo de Gustavo Cerbasi.

Uma das tradições natalinas do mundo moderno é a guerra das compras de final de ano. Na hora de escolher presentes para pessoas queridas, inevitavelmente somos apanhados por dúvidas relacionadas aos preços e aos recursos de que dispomos – que tipicamente são escassos. Quanto gastar? Será que a pessoa achará que sou miserável? Será que a pessoa me daria algo desse valor? Será que não terei problemas financeiros se for muito generoso nos presentes? Dúvidas intermináveis que rondam milhões de consumidores ávidos por queimar seu décimo terceiro salário ou bônus de final de ano.

Em parte, tais dúvidas são pertinentes. Mas apenas em parte, pois, ao presentear, realmente devemos expressar no valor do presente o apreço que temos pela pessoa que o recebe. Porém, um presente de elevado valor não é a mesma coisa do que um presente de elevado preço. Essa diferença é importante.

Há duas moedas disponíveis para pagar o que consumimos: dinheiro e criatividade. Normalmente, quanto menos criatividade utilizamos, mais dinheiro desembolsamos. O exemplo clássico de meus livros é o do namorado que não teve criatividade para dedicar tempo na elaboração de um cartão caprichado ou de uma poesia, ou para planejar um dia a dois inesquecível – normalmente, ele acaba compensando sua falta de criatividade com a compra de um buquê de flores caríssimo.

Presentes custosos não deixam de gerar uma boa impressão. Quem recebe um presente caro, como uma roupa de grife, certamente reconhece nele o valor do elevado desembolso. Porém, quem recebe uma lembrança cuidadosamente elaborada por quem presenteou, com um cartão contendo uma mensagem que reforça o sentimento de amizade ou amor, inevitavelmente reconhecerá o tempo dedicado à personalização do presente e, por isso, o devido valor daquele item. Mesmo que tenha custado muito pouco, é o tempo dedicado a fazer daquela lembrança algo único e pessoal que dá a ela seu devido valor.

Talvez esteja na criatividade, hoje tão escassa, o tão procurado espírito natalino que o comércio se encarregou de transformar em uma burocrática troca de presentinhos. Repense seus presentes, repense seus gastos, para que você tenha um Natal mais rico.

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